Portal da Prefeitura de São Paulo Prefeitura de São Paulo
Cena do filme "A Hora e a Vez de Augusto Matraga",de Roberto Santos (Foto: Divulgação)
CINEMA PALESTRAS, DEBATES E ENCONTROS

João Guimarães Rosa é relembrado em evento no CCSP

O Nome do Rosa marca 50 anos da morte do escritor com mostra de filmes, palestras, intervenções artísticas e leitura dramática

Se houve um escritor brasileiro que retratou de forma incomparável as peculiaridades do nosso sertão, foi João Guimarães Rosa. Explorando a língua portuguesa em suas mais diversas possibilidades, criou neologismos, valorizou o regional e expressou uma realidade única, tornando-se um dos mais importantes escritores nacionais.

Em novembro deste ano completam-se 50 anos de sua morte e, para homenageá-lo, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) preparou uma programação especial, nos dias 8 e 9. Batizada de O Nome do Rosa, a atividade reúne mostra de filmes, palestra, intervenção artística e leitura dramática, explorando Guimarães nas mais diversas expressões culturais.

Intervenção

No dia 9, o ator e diretor Luiz Carlos Vasconcelos realiza uma intervenção artística, relembrando sua experiência no espetáculo Vau da Sarapalha, do qual foi diretor. A peça é inspirada no conto “Sarapalha”, da obra Sagarana.

A montagem foi apresentada pela primeira vez em 1992 e realizada pelo grupo paraibano Piollin. No ano 2000, fez temporada no CCSP. Vasconcelos relembra que o conto não foi realmente adaptado para o teatro, mas transcrito da narrativa literária para a escrita dramatúrgica. “A peça é escrita como está em Guimarães, que é o que impressiona tanto: os neologismos, esse reavivamento dos sentidos. Essa é uma das grandes marcas dele e nisso não mexemos. Como é um conto de muito pouco diálogo, pegamos expressões de Guimarães enquanto narrador e botamos na boca dos personagens, de tão bonito que era”, explica.

Segundo ele, “Sarapalha” retrata dois tipos de problemas que ainda podem ser identificados na sociedade brasileira atual. O primeiro, de ordem geográfica e social. “Quanto maior o grotão no sertão, quanto mais distante, a doença e a miséria vão continuar existindo”, afirma. O outro é o aspecto humano. “O conto fala de amor, ciúme, perda, vingança. E esses são valores e temas eternos. Daí a universalidade e a imortalidade da obra de Guimarães, especificamente no conto ‘Sarapalha’.”

Nos livros

Também no dia 9, acontece o encontro Traduzindo Rosa, que aborda a tradução do escritor para outros idiomas, bem como para diversas linguagens. Os convidados são a tradutora literária australiana Alison Kay Entrekin e o ilustrador Odilon Moraes.

Radicada no Brasil, Alison já traduziu livros de Chico Buarque, Clarice Lispector, Paulo Lins, Adriana Lisboa e Cristovão Tezza e, atualmente, prepara uma nova tradução para o inglês de Grande Sertão: Veredas, com apoio do Itaú Cultural. “Nunca estive tão obsessiva, deslumbrada e arrebatada ao mesmo tempo. É uma imersão total, com leituras constantes sobre tudo e qualquer coisa que diz respeito ao livro e à obra de Guimarães Rosa”, conta a tradutora, que planeja uma visita ao sertão de Minas Gerais para entrar em contato com a topografia, a toponímia e a população da região. “Preciso me situar geograficamente, escutar a fala do sertão, pôr um pé nessas veredas”, diz.

Nas telas

Guimarães Rosa também será relembrado com uma maratona de filmes que busca apresentar o universo de suas obras no cinema. Na programação, serão exibidos três longas: as adaptações de A Hora e a Vez de Augusto Matraga, do diretor Roberto Santos, em versão restaurada; e de Mutum, uma produção baseada no livro Campo Geral, com direção de Sandra Kogut em parceria com Thiago da Silva Mariz, Wallison Felipe Leal Barroso, João Miguel e Rômulo. Também será exibido o documentário Aboio, de Marília Rocha, que capta de forma poética a vida dos vaqueiros nos sertões. As exibições acontecem no dia 8, a partir das 16h.

Nos palcos

No dia 8, a BoadaPeste Cia. de Teatro faz a leitura dramática de seu primeiro trabalho, baseado no conto “A Terceira Margem do Rio”, publicado em Primeiras Estórias. A diretora Jéssica Nascimento e o músico-regente Alexandre Guilherme convidam atores e diretores de outras companhias teatrais para uma investigação artística sobre o masculino e as relações patriarcais em contos de Guimarães Rosa.

Por Luísa Bittencourt

 

Mutum

10 anos Grátis

Local

Dia 8 de novembro de 2017 às 16:00

Projeto

O Nome do Rosa

Publicado por

Secretaria Municipal de Cultura
Mais informações

Aboio

10 anos Grátis

Local

Dia 8 de novembro de 2017 às 18:00

Projeto

O Nome do Rosa

Publicado por

Secretaria Municipal de Cultura
Mais informações


A Hora e a Vez de Augusto Matraga

10 anos Grátis

Local

Dia 8 de novembro de 2017 às 19:30

Projeto

O Nome do Rosa

Publicado por

Secretaria Municipal de Cultura
Mais informações


Leitura dramática: A terceira margem do rio

Livre Grátis

Local

Dia 9 de novembro de 2017 às 19:30

Projeto

O Nome do Rosa

Publicado por

Secretaria Municipal de Cultura
Mais informações


Intervenção artística: Vau de Sarapalha Com Luiz Carlos Vasconcelos

Livre Grátis

Local

Dia 9 de novembro de 2017 às 19:00

Projeto

O Nome do Rosa

Publicado por

Secretaria Municipal de Cultura
Mais informações


Palestra: Traduzir Rosa Com Alison Kay Entrekin e Odilon Moraes

Livre Grátis

Local

Dia 9 de novembro de 2017 às 19:30

Projeto

O Nome do Rosa

Publicado por

Secretaria Municipal de Cultura
Mais informações